Descobri…
Que o que eu sentia não era mentira.
Que enquanto eu ardia você não se iludia.
Descobri…
Que o amor aparece quando a gente menos percebe.
Que por mais que isso nunca exista…eu vou sempre dar pista.
Descobri…
Que quanto mais lutar pra esquecer…mais você vai se envolver.
Que isso vai ser assim…não tem início e jamais vai ter fim.
Descobri…
Que tenho que seguir em frente…mas que vou ficar sempre naquele eterno flerte…
Quando não sei bem o que penso…escrevo
Brinco com as palavras já que elas se tornam sempre…minha melhor confidente.
Assim, sem de repente…
Eu finjo…
Que não gostei do seu jeito…
Que não gostei da sua fala genial, do seu gesto tão fundamental.
Finjo…
que os seus olhos não são meigos, suas palavras não são ácidas…
Depois minto…
ao imaginar além pra mim mesmo
ao deixar pro tempo a tarefa que me cabia
que eu não fazia
que eu sempre perdia.
Finjo o tempo todo…
Agora finjo…
Finjo que terminei tudo isso…que acabou o feitiço…
e que novamente não vou te querer como um vício.

Sábado de feriado…

Foram 20 dias. 20 dias trabalhando sem parar…

No ar das 4h às 22h, no mínimo, e quem falou que eu apenas durmo nesse intervalo de tempo? Depois das 22h tem direito a participação especial em monografia, criação de roteiros em parceria – algo que eu nunca havia feito, noite sem dormir e bate papo com alunos do ensino médio que estão escolhendo a profissão…viagem pra Paulínia em um fim de semana…no seguinte plantão na RIT. E o dentista estava marcado desde o feriado anterior. Era este sábado, ou nunca mais nesse ano…praticamente.

A consulta, que havia marcado anteriormente, seria dia 9. Fiquei mal de gripe…mas, corajosa…fui…acordei às 7h15 e chegando na recepção do consultorio a atendente dispara: “O Johny não te avisou?” Pensei “Não Johny, não tenha feito isso comigo!” ao que ela completa: “eu pedi pra ele te avisar que o Dr. Diego não virá hoje. Ele teve que ir pro outro trabalho!” Paciência, vou fazer o quê?  Penso… sem tempo de agradecer antes dela me surpreender: “olha, pra você não perder a viagem, a Dra. Renata lhe atende e faz pelo menos a limpeza” Ótimo, não perco a viagem…

Sem limpeza, porque o sistema da Amil estava fora do ar, a avaliação e o diagnóstico são feitos: “Um restauração e duas cáries, mais a limpeza…quando voltar o Dr. Diego já inicia o tratamento!” Ok, vou nessa…retorno marcado para dia 31, pasmem, porque eu já sabia da saga de trabalho que viria…e não estou a fim de ir ao dentista das 22h às 4h em dias de semana, mas acabo sempre pensando: será que acharia algum funcionando?

Véspera da consulta…dia 30, olho o celular e…recado na caixa postal: “Lívia, favor entrar em contato no número 3255-0780 pra confirmar a consulta com Dr. Diego amanhã!” penso: “Perfeito, nem acredito que vou resolver isso!” Pego o telefone e ligo…cai no fax, novamente…e depois…fax. Desisto, tento mais tarde. Nada…a mesma coisa…fax!

Confabulando com a Denise na redação, e compartilhando a situação, chego à conclusão: “Vou mandar um fax, porque não?” e assim o faço…passo o fax confirmando a consulta,  informando meu celular e solicitando novamente contato.

Mais tarde…telefone da redação toca…Lelê atende, olha pra trás e diz: “Lívia, pra você!” “estranho, nem minha mãe acho que tem esse número e ninguém me liga aqui..”

Eu:

- alô

Atendente:

- Lívia?

- Sou eu…

- Lívia eu to ligando pra confirmar sua consulta amanhã com o Dr. Diego.

- ok, está confirmado amanhã às 8h, é isso!?

- Isso mesmo

- tá certo, obrigada!

- por nada..até logo

- até logo

Ótimo. Amanhã resolvo isso. Era esse o meu objetivo. A sexta-feira termina, encontro com dois bons amigos. Eles partem às 3h e pouco e vou pra cama. Despertador programado…sono garantido até 7h30. Pulo da cama, vantagens de se morar no centro de São Paulo, eu saio 7h40  caminhando, tranquilamente…ouvindo meu som. Último cigarro antes da limpeza…o que pode soar absurdo, mas é realidade.

Na portaria o Gilson – que já ficara meu amigo da tentativa anterior – me lança: “engraçado, a Joyce me disse que não vinha hoje cedo…só às 10h. Você marcou?” eu digo: “sim, inclusive me ligaram ontem a noite confirmando!”e penso: “só pode ser brincadeira!” rindo por dentro da situação patética…novamente! Ele me diz: “Quer aguardar? Fique a vontade…” ah, vim até aqui, estava confirmado…vou esperar. Decisão tomada. Sento, escuto música e espero.”

Passados 10 minutos retorno e ao me dirigir ao Gilson, meu celular toca, interrompendo minha investida. Número desconhecido.

Eu:

- alô

Atendente:

- Lívia?

- Sou eu…

- Lívia eu sei que você está no prédio, mas o Dr. Diego me ligou e disse que não será possível te atender, será que você poderia voltar às 11h30.?”

Eu topei, precisava resolver isso. Voltei pra casa, antes uma passada naquela padaria com o café da manhã perfeito. Suco, expresso…logo depois vassoura, pano, tanque, roupa pra lavar e vamos aproveitar o sol…até o edredon foi pro varal! É, a casa tava precisando. Depois…banho, hora de me arrumar também…e vamos  ao dentista! Juro que não foi proposital, mas dessa vez eu é que precisei ligar para a atendente.

Eu:

- alô, Joyce?

Atendente:

- Sim?

- Joyce…aqui é a Lívia, estou atrasada. Mas chego em cinco minutos o Dr. Diego pode me atender ainda?

- Sim Lívia, pode vir que ele lhe atende.

Pensei: “Finalmente eu vou resolver isso.” E o pensamento continua: “esse cara deve ser um filhinho de papai, daqueles bem mauricinhos que caiu na gandaia e não conseguiu trabalhar cedo!” Chego na sala, meu celular toca, a mulher do provedor…digo que não posso falar naquele momento…vejo, ao telefone,  um homem de branco na recepção…desligo o fone e quando percebo ele some. A recepcionista pede pra aguardar, localiza minha ficha. E eis que surge o Doutor Diego.

 

Aperta minha mão, com as duas mãos dele, e faz uma brincadeirinha: “bom dia ou boa tarde…não sei”, diz ele sorrindo. Eu retribuo cordialmente o sorriso e respondo: “você já almoçou? eu não, então bom dia.” Ele sorri e diz: “ai, eu não posso ver um espelho, porque minha pele está como de adolescente – ele quebra o ritmo das palavras acelerando o aposto, que eu fico querendo apertar…que nojento, né?” completa…rindo meio sem graça e sem saber o que esperar. Eu solto uma gargalhada e digo que a maioria faz o mesmo e percebo que estou diante de uma figura irreverente.

 

Bonito? Bem charmoso eu diria…moreno, óculos, alto, cabelos curtos…perfumado e de jaleco. Não, isso não é nenhum fetiche…é simplesmente a descrição…ela é importante.

Ao longo da consulta bate maior papo…o que é um pouco desorientador já que não se sabe o que ele quer que eu faça pra interagir, se está mexendo na minha boca. A bem da verdade é que acho que esse deve ser o grande barato do dentista…imagine só: apenas ele fala! Explica tudo, pergunta da minha profissão…diz que a mãe mora no Mato Grosso com o padrasto, mas deixa claro que o pai ainda é vivo e presente. Ele mesmo pergunta e responde até que: “Ahh, deixa eu parar de falar, porque você deve estar pensando: ‘trabalha aí e cala a boca’.”

 

“Imagina”… pensei …“estou achando ótimo isso, você é engraçado” sem a menor condição de expressar meus pensamentos à ele. Dois minutos de silêncio…ele pergunta: “você fuma?” esboço uma afirmativa com direito a “ahan” e sacudida na cabeça. Vem a segunda: “já usou aparelho?” novamente minha afirmativa. Nem mais trinta segundos e ele dispara: “ai, eu tô tentando parar de fumar, tô tomando um remédio que um paciente me deu, ele trabalha na Pfizer, sabe? E eu preciso, né? Tava fumando um maço por dia…pode cuspir, querida!” eu acato a determinação, afinal tem momento de maior alívio do que esse quando se está no dentista? Fora que eu tava doida é pra falar também… aproveito a pausa, e o alívio…e conto rapidamente minha saga com o vício.

Terminando o tratamento e tirando as luvas vem a boa ou má notícia, o que foi o caso pra mim, por incrível que pareça em se tratando de dentista. “Lívia, agora só em seis meses! e pra fazer limpeza, está ótimo!” Agora era minha vez…eu podia falar. Rapidamente engato o assunto: “e o feriado? vai viajar ainda?” ele responde: “sim, pra Campos, mas volto segunda de manhã porque trabalho – demonstrando certo incomodo…que tento aliviar contando que eu também trabalho e que fico em São Paulo mesmo. Ainda brinco dizendo que as baladas ficam melhores aqui quando é feriado. Junto a uma risada ele rapidamente concorda e declara: “com certeza, eu só vou porque minha tia tem casa lá, aí vou aproveitar também!” e na sequência…emenda a frase que vai tirar, de uma vez por todas,  a minha dúvida…se é que ainda restava alguma em mim.

 - ai, menina…ontem eu fui assistir ‘Coco antes de Chanel’ e recomendo, viu? – tirando a caneta do papel, levantando o olhar e apontando pra mim. E finaliza: “bom… assim… meio parado, mas excelente!”

Sim, ele era gay!

Termina de assinar o papel, tira o jaleco, abre os braços vira o rosto e me dá aquele beijinho característico. E ainda completa: “foi um prazer, viu?” eu respondo rapidamente: “o prazer foi todo meu!”

E realmente foi…uma pessoa muito engraçada e do bem. Algo que você percebe logo no primeiro instante, sabe? Super agradável e profissional competente! Dei sorte…e finalmente consegui resolver isso.

Limpeza, restauração, obturação e uma pessoa super agradável. Nunca foi tão bom ir ao dentista. O que é certo e que não vão demorar seis meses pra eu revê-lo… Fato…afinal de contas, a despedida também teve direito a um: “se precisar de alguma coisa antes do retorno, só ligar e vir aqui, ok?”

Sinceramente espero não precisar, antes do retorno, dos serviços que ele presta. Mas adoraria ter o prazer de sua companhia em alguma balada um dia. E é certo que vou tentar!

Sempre começo, não sei bem como…nem direito…

Apago o que comecei…nem sei bem ao certo quando começo…quando apago…quando…

Sentidos satisfeitos, pessoas e suas coisas boas e curiosas…

extravagantes e tímidas…irreverentes e caladas…e ficaria aqui…

Oscilam a toda hora todos os sentimentos, e isso é porque somos assim…humanos…

a partir daí oscilam também os sentidos, a busca, os prazeres…também as manias.

Coisas tão comuns ocupando…as pessoas

São apaixonantes, e quantos mistérios existem dentro…

Mas é que dói mais desvendar os próprios mistérios.

Os vocábulos que lembram o som das coisas estão sempre ali…presentes. No começo, no fim, no meio da história…

O fato é que em qualquer história …quando menos se espera surge um “pluf” do interruptor da luz, ou um “plaft” de algo que caiu no meio daquela história. Nunca soltos e sem propósitos. Tudo se explica mais facilmente e isso dá a leveza àquela narrativa.

O charme da história fica sempre por conta de mais algum outro vocábulo expresso em segundos…quase imperceptíveis pra quem conta a história. Aqui, só não ouso descrever mais alguns, porque me limito à dificuldade em escrever esses vocábulos, se é que assim podem ser chamados.

Afinal, como escrever o barulho que ela faz pra representar o som da coisa? O objeto atirado, a chave na porta, o zíper da bolsa, o carro que bate, o isqueiro que cai…e por aí vai.

A graça: Carolina nunca conta uma história simplesmente… ela interpreta.

Te espero…ali, sentada

Relembrando todos os pensamentos expostos…

Os sentidos calados.

Te espero…ali, na escada

Diante de todas as cenas

Montando meu próprio quebra-cabeças…

Editando a história

Te espero…ali, por nada

Vendo o mundo passar…

Escutando…

Conversando comigo

Te espero…ali, encantada

Com poucas palavras…

Te espero!

Minha irmã é biomédica. Eu, jornalista, um dia perguntei a ela o que, de fato, o laboratório que ela trabalha produz. Em meio a um monte de nomes estranhos, nomenclaturas jamais ouvidas por mim, siglas e blá, blá, blás…ela usou a pedagogia, profissão da minha outra irmã, pra didaticamente me explicar. Tá certo que não eram palavras dela, seja creditado aqui o autor da explicação, mas ao passar por ela o conhecimento toma outra dimensão, circula entre mais pessoas…e continua fazendo sentido. Cumprindo o seu papel.

E assim ela me disse: “Imagine que seu ar condicionado quebrou. Você precisa chamar um técnico para arrumá-lo. Assim que o técnico chega, ele precisa lançar mão de algumas ferramentas para consertá-lo, certo? Eu digo: “certo.” Pois bem, ela segue: “É isso o que a gente faz, produzimos ferramentas para os pesquisadores.”

E na minha santa ignorância penso: “olha só, um bando de malucos fica enfiado com a cara num microscópio olhando um monte de desenhos mais malucos ainda…e descobrem sempre alguma coisa nova. Logo, a minha irmã abastece esses malucos de ferramentas pra que eles continuem…e assim um dia, quem sabe…talvez eles descubram coisas ainda mais fantásticas do que as que já descobriram”

Sensacional, não?

Isso já tem um tempo. Mas porque voltei até lá e cheguei até aqui?

Fiquei pensando em como relacionamentos, pra mim, se parecem com ferramentas. Você só consegue se descobrir, se conhecer, conhecer o mundo, as pessoas, as sensações, os sentimentos, os sentidos, o tato, o olfato se apropriando de ferramentas. É a presença do outro que te faz sentir. Ou a ausência do outro. Isso sem contar o relacionamento que tem com você. Você consegue produzir em si mesmo muitos sentimentos. Eu já ouvi história de ‘nego’ que ficou louco de ácido por ter apenas colocado na boca um pedaço de papel. Você consegue.

Não fossem os nossos relacionamentos, jogaríamos fora uma capacidade fantástica do ser humano. Usaríamos clipes onde um grampeador caberia melhor. Não por opção, mas por falta de.

A cada dia me conheço mais. Quanto mais conheço o outro e os outros, mais me conheço. Essa nossa grande ferramenta ainda vai nos levar a lugares incríveis. E eu só fico torcendo pra que aquele “bando de malucos” continue se relacionando. E pra que todo mundo possa descobrir que se ‘neguinho’ apareceu por aí, é porque era necessário que você se relacionasse com ele. Não apenas para conhecê-lo e se conhecer, mas também pra que você descubra que essa ferramenta não tem vida útil. E que você pode usá-la sempre que desejar.

Ela passa apressada na rua, está atrasada…corre como correm todos os paulistanos que vez em sempre declaram: “tô correndo”…meu irmão, já disse à ele, vai ganhar a São Silvestre ainda.

Ela continua, caminha em passos rápidos…certa de que quando chegar ao trabalho vai conseguir fazer aquela ligação importante, checar a caixa de e-mails pra ver se aquele documento que aguardava havia chegado…afinal, ele era importante…dead line curto, sabe como é!.

De quebra, tinha que sacar um dinheiro no banco, responder a mensagem do namorado, falar com as meninas (ela pensa: pô, não dá pra deixar de fazer isso, preciso saber o que acontece no fim de semana e matar as saudades!)…isso sem falar naquela “olhadela básica” nas infinitas redes sociais…twitter, facebook, Orkut…ah, ainda tinha que avisar a mãe:

- “É mãe, não vou dormir em casa…ele vai me pegar no trabalho e durmo na casa dele!”

Boas linhas pra descrever instantes…

Ela segue, olha pros dois lados…atravessa antes do farol fechar para os carros…saca o crachá da bolsa, o celular…e, de repente, faltando apenas um quarteirão…ela pára!

“Meu Deus…isso é exatamente o que desejo!”

Constatação rápida, certa, cheia de convicção. Aquele curtíssimo espaço de tempo fez com que todas as outras coisas perdessem complemente o significado. Perdessem a razão de ocupar todo aquele espaço.

Daí…ela se apaixonou…perdidamente! Olhar fixo, olhar de cobiça, sensação de posse, do “isso é tudo o que eu pedi a Deus”

“por que eu não encontrei antes?por que?”…

Gatos, amigos, e-mails, trabalho, chefe, rede social…aquilo tudo se perdeu. Foi embora…

Ela se aproxima. Entra… e pergunta:

- “tem tamanho 37?”

“Vermelho, lindo, vermelho, modelo perfeito, vermelho…com salto na medida!” (conta ela pras amigas depois…)

A atendente:

- “hum…desse aí…vermelho…acabou! Mas…eu tenho…” (a atendente continua falando, mas ela já não escuta nada…absolutamente nada!)

Pronto…

…voltam…gatos, amigos, e-mails, trabalho, chefe, rede social…aquilo tudo que teria se perdido…se ela o tivesse consumido.

Minha amiga tirou uma foto dele…

do sapato…

…afinal de contas, ela se apaixonou…e ele é vermelho!

Até hoje… eu tiro fotos de qualquer outro sapato vermelho que cruze o meu caminho… pra ver se assim… ela encontra mais um bom amor!

moto_1064

moto_1090

 

 Giuca, as fotos são pra você. O da esquerda nos pés de Lelê Ferraz. O da direita é de Paula Lobão!

“eu só queria moça, que você fechasse aqui (essa janelinha) porque quando o navio zarpar vai ventar. E eu não posso tomar vento”

Fala se não tinha que estar no @melhoresfrases? Eu não faço idéia de quantos anos tem o senhor que falou isso. Essa história uma amiga, com a qual eu tenho uma relação que transcende este plano terreno, me contou.

Ela era comissária de voo. A comissária Carol Alves (será q acertei seu “nick name”rsrs….da aviação?) foi quem me relatou. Enfim…(como repetidas vezes diria Zélia Cardoso de Mello…nossa um dia Ministra da Fazenda ao comunicar que o governo estava confiscando a poupança dos brasileiros)… Ele era um passageiro que necessitava de acompanhamento. Já despachou uma criança de avião? Pois é, tem um comissário que fica responsável por ela, um em terra e um durante o voo. (estou tentando me adaptar as novas regras, mas são poucas as palavras que escrevo agora com convicção. E o Word insiste em me corrigir. Ele deveria já me ajudar..alô, Microsoft!) E assim como as crianças, esse senhor embarcou com uma solicitação: necessitava de acompanhamento.

Minha amiga, então…o coloca em uma poltrona de onde vai ter uma visão privilegiada do senhor e, assim, vai poder realizar o seu trabalho e tomar conta de outrem. Ao se sentar, o senhor mostra certo desconserto…olha para aquele aparato todo e não se sente muito confortável. Percebendo o desconhecimento sobre a aeronave do senhor, minha amiga então realiza pra ele aqueles procedimentos…aqueles que todos nós vimos dos comissários antes de embarcar? Pois é…estes mesmos…só que com uma vantagem…era com exclusividade. No meio do início de sua performance…(assim mesmo, no meio do início) ela é interrompida pelo senhor que diz: “eu SÓ queria moça, que você fechasse aqui (essa janelinha) porque quando o navio zarpar vai ventar. E eu não posso tomar vento”

Sensacional!

Imediatamente penso depois de ouvir a história…é tão metafórico. Tão cheio de mensagens a frase dele. E…será que só eu percebo isso? Existem certos momentos em que me vejo apenas não “podendo” tomar vento. ”Necessitando de acompanhamento”…

Algumas situações me colocam em posições privilegiadas, como a deste senhor que…simplesmente poderia ter tido uma explicação particular pra certa situação que lhe causou um desconforto…como não dizer! Outras histórias em que você apenas queria “SÓ” alguma coisa. Em que queria “SÓ” que alguém lhe fizesse aquele favor…ou mesmo “SÓ” pudesse lhe oferecer aquilo que desejas. O não reconhecer aquilo que lhe transporta…mas se permitir ser transportado é outra coisa…interessante…em certas ocasiões. Isso sem contar a quantidade de gentileza de ambos. Testifica o quão melhor somos apenas por considerar e respeitar o outro…com uma boa dose de carinho e educação.

Ah, se eu pudesse “SÓ” deixar de ser um pouco humanista. Caberia-me um outro tanto de fé!

…música da cantora Ana Cañas. A canção é praticamente a continuação da faixa “Diariamente” do CD Mais da Marisa Monte. A letra de “Diariamente” é do Nando Reis, se bem me lembro. Céu incorpora diversos elementos em suas músicas. Seria até um tanto clichê…dizer. Mas não é o fazer, e sim a maneira como se faz!

Vale…

Para todas as coisas – Ana Cañas

 

 

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